Era uma noite quente de um falso inverno, mas que pronunciava algo que ele jamais esqueceria em seus próximos passos…

Olhando agora para a mesma situação, ele seria menos orgulhoso e admitiria seus medos e temores. Arriscaria até dizer que choraria junto, implorando uma ajuda e declarando todo seu sentimento sem se importar com nada mais. Se fosse hoje, aquela conversa seria diferente – ou quase certeza que não existiria, porque não teria razão…

Mas relembrar o passado, não ajuda com os fatos e ali estava ele vendo sua promessa arremessada em um abismo que ele jamais tinha voltado a visualizar. Ela chorava. Por sua culpa. Por sua fatídica culpa…

Naquela noite do passado, ele havia deixado para trás seu coração e sentimentos, guiando-se apenas pelo medo latente de não saber explicar aquele amor que borbulhava em suas veias. Ela chorava e pedia ajuda e ele apenas deixou que aquela chama se apagasse sem uma razão e com todas as possibilidades de retorno apagadas na sequência.

Mais tarde, chorou copiosamente no segredo de sua casa e prometeu que aquilo não passaria novamente. Ele não chegaria no momento que magoaria alguém a ponto de ver lágrimas em outra pessoa. Não seria ele o causador dessa complicação completamente evitável…

A promessa seguiu viva por mais de uma década… Até aquela noite presente…

Ele a abraçava e ficava sem palavras para explicar o sentimento novo e poderoso que sentia. Ela era a primeira capaz de igualar o sentimento que ele sentiu quando ainda era um jovem medroso e perdido entre pensamentos. Ele chorava sem controle – tanto pelo sentimento que sentia, mas também por ver aquela promessa se dissolvendo frente aos seus olhos. Ela chorava puramente pelo que sentia e lhe doía a ideia de ter que se separar dele. Viver esse sentimento novo longe, era tão doloroso quanto que se ele não existisse mais. Por isso ela chorava…

Eles se beijaram, tentando de alguma maneira encontrar um pouco de fôlego naquela situação que os sufocava e os jogavam em um lugar desconhecido e perigoso. As lágrimas se mesclaram com as súplicas. As súplicas se misturavam com as promessas. As promessas se perdiam na realidade que eles viviam. E a realidade os massacrava com a constatação que talvez fosse a última vez e eles não se veriam nunca mais…