A melodia caminhava rapidamente para o refrão de alegria que subitamente trazia a vitória de um sonho realizado…

A conta sempre parecia muito mais simples que a realidade. As escolhas sempre pulavam à sua frente como quem precisa ser escolhida primeiro. Se pudesse definir a felicidade, ele escolheria um conjunto de imagens recentes que estavam em seu celular de última geração. O sol brilhava forte e dourava uma pele acostumada aos aplausos, de uma competição que já estava ganha há muito tempo e que não trazia mais emoção…

O primeiro golpe veio forte e devastador. Daquele momento para o penhasco a céu aberto, foi um passo pequeno e rápido. A queda foi incontrolável…

Depois de dias rodando sem reconhecer nenhuma cicatriz daquela cidade que tanto desenhou, ele desabou em uma rua que daria em um beco azedo que o embrulharia seu estômago, se ali tivesse algo para expelir. Recebeu alguns trocados de uma moeda suja que não lhe comprariam sua salvação. Girava os olhos tentando focar alguma coisa e rezou para um Deus que ele não sabia que existia ou que pudesse definir…

Pediu clemência pelos exageros de antes.

Pediu desculpas pelas ofensas indescritíveis.

Pediu perdão pelas maneiras que havia caminhado.

Pediu uma luz qualquer, indicando alguma direção que pudesse reconhecer.

As palavras se embaralhavam e não havia uma sequência lógica. As construções estavam erradas e inclusive havia uma mistura de idiomas e dialetos diferentes.

Ele estava ali por tempo suficiente para não saber quanto passou. Desmaiou de sono, mas antes de perder aquele resquício de consciência conseguiu sorrir. Ele havia desabado na rua que se chamava “Rua dos Pedidos”…