O relógio marcava 3h57 e ela mal havia deitado. A insônia era a sua única companhia desde que o verão se apagou em alguma memória…
Ela custou a admitir, mas se viu sem saída depois de tantos anos de espera. Ela havia perdido a noção do tempo esperando por todas as promessas feitas. Ela perdeu a noção de quanto tempo fazia desde que aquele frio na espinha percorreu seu corpo. Ela já mal se lembrava como era o cheiro do toque que a despertava de maneira leve e que ligava seu corpo como nunca havia sentido. Ela já havia amaldiçoado, perdoado, chorado e esquecido tantas as vezes seu nome que já não se importava mais. Muita coisa havia se perdido, mas não a razão dela acordar todos esses anos na mesma maldita hora…
Era praticamente o último dia das férias de verão. A cidade era invadida por todos aqueles turistas querendo a loucura das praias, das festas sem fim e de todos compartilharem (e criarem) novas histórias de verão. Ela estava em outra sintonia, havia passado todo o verão com o mesmo cara e finalmente se apaixonado por alguém “real”. Alguém que a entendia, que a fazia feliz e que a ligava, apenas com um toque no corpo.
E naquele dia às 3h57 a música parou, ele olhou bem nos seus olhos, a beijou ferozmente e disse as palavras que ecoam, até os dias atuais na sua mente e a mantém presa naquela promessa…
“Você se tornou o meu Norte. E eu sempre te carregarei pelos meus passos. Todas as vezes que eu voltar para cá, é você quem eu quero encontrar. Eu quero que você me carregue na memória, porque eu jamais te esquecerei e eu voltarei. E será logo. Mais rápido que o piscar desses olhos esmeraldas… Prometa que vai me esperar e quando voltar, será tudo novo, porque será para sempre…”
E ela assim o fez porque achou que era real. Ela esperou porque achou que era diferente. Ela esperou porque ela queria o para sempre. Ela esperou e esperou… Nem é preciso dizer que aquele cara, que ela nem quer mais lembrar o nome, nunca mais voltou e a deixou ali, presa naquela cidade, naquele momento, naquele verão e naquele sentimento tão ingrato por existir…
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