E colorindo a escuridão com traços escuros de tonalidades diferentes eu vou indo…

Gerundiando a cada novo segundo. O preto no escuro. O branco no claro. O eu em você. Talvez a lua tenha seu brilho realmente refletido em uma frequência única e similar. As lembranças transcritas no papel amassado na calça, o objeto de roubo e todos os adjetivos, passeiam como a brisa noturna da maré alta. A arrumação de ideias é tão dolorosa quanto a inocência do choro infantil na fila da vacinação. Talvez minhas ideias estejam realmente espaçadas, mas sempre foi assim… Caminhando mancando, cansado, com olhar crítico operado e com o coração pulsando uma alegria triste. Colorindo traços estranhos, redesenhando minha rota, redescobrindo todos os meus desejos. Lembrando do gosto acre do choro de despedida e da sua voz ecoando ao telefone…

E mesmo assim eu não consigo reescrever nossa história. Com toda a intensidade, com todos os sentimentos aflorados. Somos como óleo e vinho e o que faz eu continuar sonhando é a melodia agressiva de um piano, violino e violão dedilhando a pureza do pensamento. Procuro a força para dobrar o destino que eu não consigo esquecer. As horas batem iguais e de certa forma eu já teria que ter ido embora…