Seria minha melhor máscara. Pintada de um momento único, translucido e neutro. Sem vestígio da sua presença nos meus passos anteriores.

Se eu tentar não lembrar, você vai mentir para que eu tente novamente. Se eu lembrar, você vai mentir dizendo que não aconteceu daquele jeito. Se você não mentir, eu vou lembrar o seu olhar sádico e de como você virou o jogo para virar vítima da situação. Se você mentir, eu vou saber que sempre foi assim e que todos os passos e lágrimas foram tão falsos quanto os meus próprios sonhos…

Viramos reféns de um enredo de redundância e sem explicação. Vivemos naquela falsa ideia de que tudo é bom e belo, que construímos uma história e que nada poderia atrapalhar. Tempos curtos com discussões demais, desconfiança extrema e muita falsidade transparente. O veneno que antes lutei contra, acabei por usar em doses cavalares para tentar mudar o rumo de um oceano todo até querer naufragar.

Mudei tantas vezes que acabei decidindo mudar o quarto. E mudei. A vida, a cidade, o país, o nome e até mesmo o sobrenome – apenas para me fantasiar de uma máscara neutra e que pudesse enxergar novos sorrisos carregados num sotaque impossível de não rir…