Ele estendia a mão para mais uma pílula. Mais uma dose plastificada de uma substância que trouxesse um alívio permanente…
Nunca era permanente o suficiente. Tudo era uma mentira fabricada, embalada em plástico vegano e comercializada em porções individualmente facilitadas. Ele se sentia seguro assim. Não havia erros ao manejar tal substância e ele nunca se perdia na dose diária que deveria tomar.
Tinha uma para cada coisa que ele achava importante em sua vida: vitaminas, coração, músculos, gordura e até para se manter vigilante nos momentos que teria que estar acordado e o corpo gritava para dormir…
Tinha uma caixa cheia dos remédios e alívios que necessitasse. Sempre se renovavam e quando estava entediado com o mundo fora, escolhia uma daquelas caixinhas mágicas e simplesmente conseguia dormir por 10 horas seguidas sem se lembrar do que havia sonhado.
Misturava com álcool. Misturava com insônia. Misturava com sua fome ou com sua aflição. Sempre criava uma justificativa mental para se sentir seguro, mas jamais poderia comprovar a razão de seguir assim. Mesmo sabendo que estava sendo muito errado…
Mas quando se sentia culpado por algo, sorria maliciosamente, acendia a luz do quarto e buscava a sua caixa. Em dois minutos esquecia a culpa e sorria tranquilamente no quarto escuro e desmaiava sem saber que horas iria acordar…
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