Era a primeira vez que ouvia aquele telefone tocar. Mesmo antes de atender, eu já sabia quem estava ligando…
São as cores que provam o daltonismo, mas confundem os desavisados. São bichos peçonhentos enjaulados, dos quais curadores reclamam por seus presságios…
Tentava disfarçar a marca no pescoço com uma maquiagem barata. Sorria sozinha, lembrando das loucuras de noites de verão das quais jamais se orgulharia…
Ela havia ganhado a vida anterior em apostas e vitórias gordas. Ele sabia que não tinha sido a sua primeira escolha…
O alinhamento se inclina, e o que era inteiro começa a rachar. Há luz e trevas, com um clarão sobre algo que já se apagava havia muito tempo…
Não temos ideia do último adeus — de seu início, de seu meio e, muito menos, se o fizemos do jeito certo…
Houve um tempo em que mandar uma carta trazia alegria…
Os dedos tentam pintar o silêncio que habita nos ossos. Na prisão de vidro, há o eco de um suspiro — nem bravo, nem manso, apenas uma promessa não cumprida…
E gritamos por nossas orações, mas não movemos uma agulha do palheiro que somos. Queremos salvação, mas nos traímos e barganhamos o melhor preço até extorquir o nosso próprio futuro…