As cores repetidas mostram que o cenário é o mesmo. Com discussões apenas imaginadas porque a porta nunca foi aberta…

O terreno é o mesmo de sempre e os passos são no frio apartamento vazio. A solidão é palpável e o ritmo dos dias se dá apenas na cartela de remédio que se esvazia. As horas passam, mas nada se renova e o ar fica pesado de tanta culpa e tanto pensar nas decisões que fizeram chegar aqui.

As contas vencem e o saldo fica positivo, mas falta um sorriso na esquina simples. Falta um olhar além, uma risada abafada e até um atrevimento maior. Mas, como será que era essa sensação afinal? Pela janela ele vê o viajante com sua coleção de beijos roubados nas curvas da vida. Ele deixa alguns para trás, apenas para dar mais espaço aos novos que irão chegar. Ele não sabe de quem ou como, mas ele sabe que terá novos sabores na próxima noite.

O passaporte está vazio e a mala cheia de preocupações banais. A chuva teima em cair aqui e ele vai até a porta para verificar que está mesmo fechada. Ele agora tem medo dos sabores do mundo, ele está morto por dentro…