Ele ergueu a mão e pediu outra dose. Era o afago de uma alma condenada aos pensamentos perversos…
O álcool parecia aliviar toda aquela escuridão que enxergava. A vida se resumia ao entorpecente gosto do devaneio refrescante e alcoolizado da bebida em seu corpo. Era aquilo que escrevia em sua lápide, se é que pudesse escrever algo – ou até se tinha onde cair morto. Talvez morresse ali mesmo e o desovariam em um beco perdido e viraria estudo de um aluno qualquer. E o que estudariam? Será que suas aflições sairiam em um bisturi ou estariam escritas em um órgão? Duvidaria muito. Mas, se isso fosse possível iria ele mesmo pedir para lhe cortassem e explicassem, em vida, o que se passava ali dentro…
A camisa ensopada de suor era a mesma há dias. Perdeu a noção de tempo quando ensinou o barman a fazer sua bebida. E isso foi quando? Uma semana? Um mês? Nenhuma ideia. Não precisava de muito agora. Ele chegava sorridente, mas ninguém se importava. Quanto mais se a camiseta era nova, velha ou fedida. Ele mesmo não conseguia distinguir nada mais.
Sorvou o último gole. Ainda tinha algumas notas no bolso. Fez a conta mentalmente e ergueu o braço, chamando o barman. Pagou sua rodada e lhe restou mais 3 moedas. Deixou de gorjeta e pediu um shot. Hoje ele iria trocar de camiseta…
Conte-me algo aqui...