Escrevo em primeira pessoa sem saber como mudar o contexto ou a visão de todos os sentimentos e resultados que encontro em meus passos…
Escrevo como se fosse comigo, mas nem sempre sou o principal da história. Escrevo porque as palavras me saem como tormenta de verão e me atropelam como uma enxurrada desavisada e perigosa. São tormentos que nunca tive. São suspiros que não consegui sentir e são calafrios que passaram longe da minha espinha. Escrevo porque me sopraram as angústias e descarrego aqui, em página branca e pura, os pecados de outrem, de outrora e de ninguém…
Escrevo porque me fizeram instrumento. Não é uma tortura, mas ao mesmo tempo não me sinto pleno e confiável por expressar, aflições de outras pessoas como se fossem minhas. De descrever dores que fazem chorar um ser distante. De embriagar um ato extremo, de alguém que nunca tomou uma gota do ilícito…
É uma ciranda perversa, mas que em algum momento eu fui algo que me foge da memória, mesmo tendo um milhão de palavras prontas para redigir. É essa guerra absurda, onde não sou nada, mesmo sendo tudo o que uma outra força precisa. E apenas empresto meus dedos para que sua aflição seja um pouco menor no próximo capítulo…
Conte-me algo aqui...