A lua tomou conta da iluminação central. Estava cheia e assim tudo recebia seu brilho…
“E será que o amor é para sempre? Será que ele se sustenta depois de várias temperes, várias objeções, mudanças, arrependimentos, desconhecimento, desenvolvimentos, novas opiniões, gostos, caminhos e decisões? Será que o amor é tão forte assim para que sirva de apoio para tudo?” – foi o que ele perguntou, com algumas pausas enquanto bebia mais do seu copo, e nitidamente já excedendo o limite comum…
Houve um silêncio no recinto. Como se aquelas palavras pairassem entre o absurdo da pergunta e o quão profunda foi a reflexão para que valesse o tempo pensando na resposta.
“Por que se pensa isso? Eu amo meus pais… E sei que eles me amam… E estão juntos há mais de 40 anos. É claro que se sustenta…” – disse a menina ao pé da mesa, visivelmente mais sóbria que o rapaz.
“Será que a mãe teria se casado com o pai se fosse nos dias atuais? Será que eles teriam se conhecido? Será que a completa incompatibilidade de gostos seria um obstáculo ignorado e que eles seguiriam em frente? Coloque-os nos dias atuais. O que seria suficiente para termos 40 anos juntos pela frente? Horas atrás vocês discutiam – e algumas apoiavam – traições e mentiras criadas… É esse caminho que o amor de antes se transformou? Ou é esse o mesmo amor de antes e que nunca ninguém contou?” disse ele de bate-pronto, claramente preparado para quando aquela situação surgisse.
O silêncio se ergueu novamente na sala…
Conte-me algo aqui...