Ela não podia acreditar que estava exposta em uma rede social. Apesar que ninguém sabia que fosse ela, ela sabia…

Era a primeira vez que alguém havia mexido com ela naquele clube. Nunca passou por sua cabeça ter uma “paquera” ou algo parecido durante seus treinos de natação. Afinal, ela estava ali bem no início da manhã para evitar qualquer tipo de aglomeração e também evitar as inevitáveis olhadas ao seu corpo. Apesar de seus quase 40 anos, ostentava um corpo muito bem torneado e atlético. Tinha seus defeitos aqui e ali, como toda mulher os têm. Gostava do seu corpo e sabia que ele atraía muitos olhares. Gostava disso. A fazia desejada…

Mas a realidade era muito mais complicada do que a teoria de ter um corpo perfeito e ser desejada. Ela expulsava a maioria das pessoas com quem gostaria de ter algo. Era um problema superado a duras penas, muitas sessões de terapia e exercício mental para que entendesse que as coisas não seriam sempre da forma que ela desejava.

Pela primeira vez ela havia notado em alguém durante o treino da manhã. Ele parecia inofensivo, mas seu sorriso a contagiou desde o início. Ela esperava uma aproximação que nunca chegava e notou que, apesar de ter um sorriso bonito, o moço ao seu lado era muito tímido. Ela o chamava assim em sua cabeça, “moço”, simplesmente porque não conseguia enxergar nada além do seu rosto com a touca e os óculos espelhados de natação. Mas pela impressão inicial, era um moço de sua idade e aparentemente atraente.

Havia alguma tentativa de diálogo entre eles, quando os descansos batiam, mas nada que a fizesse perceber nada além de que uma companhia para as manhãs frias na piscina. Continuou seu treino porque já havia visto esse filme 100 vezes – a pessoa simpática quer proteger a pessoa mais “apresentável” para que nada aconteça de mal. Ou, como sempre acontecia, o moço era casado e indisponível…

Depois da 3ª tentativa de ter uma aproximação normal, decidiu saltar sua última série e sair exatamente quando ele começava a sua próxima. Assim teria tempo suficiente para escapar de mais uma cilada intencional que sua mente criava para ela…

Ao caminho para o trabalho, quase duas horas depois, viu o anúncio na rede social do clube e não acreditou. Leu duas, três e quatro vezes para entender o que havia acontecido. A princípio, se culpou por ter saído abruptamente do treino, mas depois entendeu que a situação não era comum no seu dia e horário em questão…

Passou a manhã matutando toda exposição involuntária que aquela mensagem criou e, durante o almoço, decidiu enviar seu “oi” e ver o que, daquela bizarra situação, poderia enfim acontecer…