Ele passou a manhã toda olhando para o celular na esperança de receber um retorno. Durante o almoço, a mensagem chegou…

Era um simples “Oi” com um emoji de vergonha ao lado e ele riu porque imaginou como era a situação do outro lado. Parecia uma brincadeira adolescente na qual ele retornou aos seus tempos de colégio com recadinhos enigmáticos para a paquera ao lado… Sorriu para a lembrança, mas retornou ao presente e tentou explicar na mensagem toda a razão por ter feito aquela loucura. Foram algumas trocas de mensagem com risadas e bem leve, onde logo ele perguntou se poderia ligar para ela e facilitar mais as coisas.

Falaram por cerca de 30 minutos, rindo muito da situação toda e quebrando um pouco do gelo e do espírito adolescente aventureiro com quase 40 anos nas costas. Foi uma conversa leve e apenas interrompida porque ela teria uma reunião em pouco tempo e precisava se preparar para tal. O toque “moderno” na conversa toda, foi que trocaram suas redes sociais e sem nenhum convite para algo depois, desligaram.

Enquanto se preparava para sua reunião, ela ainda pensava em como havia sido a conversa. Leve, engraçada e com um senso de humor e ironia bem próximos ao seu. Uma surpresa interessante. Conversando pelo telefone, ele pareceu bem mais interessante e aberto, longe da timidez que demonstrou naquela manhã.

Quando desligaram, ele sorria ainda sem acreditar que havia sido tão leve e desenvolto. Geralmente sua timidez atrapalhava muito os primeiros contatos, gerando alguns silêncios e assuntos aleatoriamente curtos. Mas ali foi diferente, talvez pela situação criada ou por algo mais profundo. Não queria pensar na resposta e apenas tentar entender como faria para continuar essas conversas fluindo naturalmente e talvez marcar um café no futuro próximo.

Cada um ao seu tempo, começaram a “analisar” as redes sociais, gostos, locais, rotinas e possíveis pontos de ligação entre eles. Eram um pouco diferentes nos seus costumes. Ele mais de leitura e esportes. Ela de bares e natureza. Ele com frases enigmáticas. Ela com músicas mais profundas. Muitas viagens. Muitos sorrisos. Ambos sabiam que aquilo tudo era uma grande máscara necessária e “obrigatória” na sociedade atual, mas que o essencial e real, estava sempre presente – mesmo nas entrelinhas e posts que passavam desapercebidos…

Entre um comentário aqui e um “like” ali emendaram alguns comentários e assuntos um pouco mais comuns para ambos. As segundas e terceiras ligações fluíram normalmente e duraram o tempo necessário para não se tornar entediante e monótona. Já próximo ao final de semana ele perguntou se ela tinha planos para a sexta-feira. Ela prontamente disse que estaria tranquila. Ele sugeriu um happy hour no final do expediente com um jantar leve e sem compromisso ou formalidades maiores. Ela riu da explicação do convite e respondeu que como o tempo já estava esquentando lhe apetecia uma cerveja e alguma porção para beliscar tranquila. Ele sugeriu um bar que ficava próximo ao trabalho dela e ela estranhamente não conhecia…

Assim marcaram para se encontrar no final daquela semana às 18h. Ela sorriu da casualidade que o destino havia criado. Ele mal conseguia acreditar que tinha um encontro que saiu por conta de uma mensagem anônima em uma rede social para então criar uma realidade…