Ele chegou ao bar pouco antes do horário combinado e pediu uma água para tentar disfarçar o nervosismo que transbordava em seu rosto…

Apesar de ser um dos últimos suspiros do inverno, o dia havia sido quente e convidativo para alguns drinques e conversas entre amigos. O bar já estava bem movimentado com o pessoal saindo do trabalho e encontrando algum espaço para curtir aquele início de fim de semana. Ela apareceu às 18h e conseguiu reconhece-lo facilmente e antes de se sentar à mesa, disse que ele deveria vestir uma touca e óculos de natação para ajudá-la no reconhecimento. Ele achou engraçado, mas não foi capaz de responder com uma piada leve e tranquila rapidamente. Ela se sentou e pediram uma cerveja para começar as conversas.

Realmente ela era uma mulher bem atraente e não trazia a idade que tinha. Se fosse reparar, sabia que havia outros olhares de mesas vizinhas direcionados para ela. Ele passaria como uma pessoa normal na beleza, mas tinha um corpo atlético o suficiente para que qualquer um entendesse que treinava forte. Se observassem aquela mesa, não viriam nada muito discrepante.

Começaram a conversa em tom normal e bem abaixo da expectativa dela, que sempre levava as investidas para uma piada ou ironia. A timidez dele começou a aflorar na conversa e apenas conseguia fazer perguntas desconexas e sem criar uma conversa sobre qualquer assunto. Era um momento um tanto monótono e que ela ia se cansando cada vez mais. O problema não era falar sobre trabalho ou treinos de natação, mas não conseguir criar uma conversa sobre aquilo. Era um caminho de pergunta e resposta que acabavam broxando qualquer investida.

Para tentar amenizar a situação, ela tomou a iniciativa e perguntou sobre seus hobbies e viagens feitas. Ela já havia conhecido quase toda a Europa e ele ainda teria que conhecer mais de 15 países para chegar ao mesmo nível. Ficaram comentando um pouco da experiência de cada um e concordaram bastante em um provável “top 5” de lugares – mais porque ele tinha vergonha de dizer que achava Paris apenas uma cidade normal e ela tinha colocado na 3ª posição.

O problema é que não se pode apenas conversar sobre viagens a noite inteira. As experiências acabam ou se tornam massivas demais para conversar mais. Assim, os silêncios voltaram com as respostas monossilábicas desinteressantes. Os copos de cerveja iam se somando e a timidez dele não ganhava a batalha, pelo contrário, faziam ele ficar mais fechado e alcoolizado.

Ela se levantou para ir ao banheiro e tentar refrescar a cabeça, mesmo assim não adiantou e nada mais interessante acontecia naquele encontro. Começaram a olhar o relógio e celular com frequência e o cansaço da semana se somaram aos dois.

“É, acho que podemos ir. O que acha?” sugeriu ele, sem saber o que mais fazer.

“Sim… Podemos. Quando a semana é pesada, a sexta-feira termina mais cedo mesmo.”

“Ah sim. Não temos mais aquela vitalidade dos 20 anos…”

“Há muito nem sei o que é isso…”

Ele pagou a conta e logo já estavam na porta do bar.

“Gostei muito da noite, senhorita viajada”

“Gostei também” mentiu ela, querendo logo ir para sua casa

“Eu vou de moto, se quiser posso te levar…”

“Não precisa. Vou de metro tranquila. Não se preocupa”

“Certeza?”

“Sim, sim”

“Podemos marcar outro dia, se você quiser.”

“Sim, vamos nos falando e marcamos outra hora.”

E se despediram sem beijo e nem abraço. Ela apenas segurou um pouco a mão dele, sorriu e logo seguiu para o metrô. Ele mandou uma mensagem quando chegou em casa e recebeu apenas um “OK! Boa noite…” de resposta. E ele sabia que tinha estragado tudo e não teria uma segunda oportunidade com ela…