A cada nova publicação ou vídeo postado, mais aumentava sua vontade e admiração pelo seu “paquera”…
Ela sabia que era errado, mas não havia como fugir. Ela estava hipnotizada e desde que descobriu que ele estava “lutando” por ela, se deixou envolver e levar por todo aquele tesão inexplicável que sentia.
“Ele” tinha nome – Murilo. Um nome bem incomum na vida dela, ela não conhecia nenhum Murilo, mas desejava ter conhecido vários como ele. Ele era um personal na sua nova academia, que sua amiga Claudia a encheu muito para mudar e ter uma companhia para sua nova rotina. A academia era mais cara e isso no princípio a deixou um pouco incomodada, nada que não pudesse pagar, mas que a antiga academia estava tranquilamente bem equipada e satisfazia as suas necessidades. Essa nova, tinha muito mais nome e o preço se pagava por isso também. Ela não ia muito com a cara das pessoas que frequentavam, fez pouquíssimas amizades nos quatro meses que estava ali, mas depois que conheceu o Murilo tudo parece ter mudado…
Sim, há apenas 4 meses a sua vida meio que mudou da água pro vinho – ou talvez para o whisky. Ela estava noiva em um relacionamento de nove anos que todo mundo chamava de casamento já, mas que ela detestava o rótulo. Talvez ela detestasse o rótulo exatamente por tudo o que o relacionamento virou nos últimos anos. Apesar de lampejos intensos, os últimos 3 anos estavam sendo horripilantemente tediosos e, sem querer, aquele “chacoalho” que Murilo causou era algo que ela esperava do seu noivo, não de um “desconhecido”. Uma mudança radical, uma viagem nova, uma nova rotina, novos planos insanos ou algo que os fizessem se arriscar de maneira “normal”. Os dois estavam muito bem profissionalmente, dinheiro não era definitivamente o problema, mas faltava algo que esquentasse as coisas entre eles…
Desconfiava que seu noivo já a havia traído, mas não conseguiria provar, porque sempre foi muito rotineiro e qualquer desvio disso ela perceberia. Porém, sabia que ele era esperto o suficiente para criar algumas brechas nisso também.
Mais uma notificação chegava de Murilo no seu celular, que a fazia perder o rumo dos pensamentos. Mais uma foto sem a camiseta e mostrando o peitoral totalmente rasgado. Ela admitia que nunca gostou de homens muito marombados, mas Murilo era diferente. Não podia explicar, mas era diferente. Claudia era a única que sabia da história toda – que começou da maneira mais estúpida possível, mas que a amoleceu totalmente. Dos primeiros cumprimentos, até eles conversarem trocando fotos e confissões tolas no WhatsApp, foi questão de dias. Tudo isso em pouco mais de um mês, mas a intensidade foi tanta que ela começou a aumentar as pausas entre seus pacientes para poder conversar com ele. Mostrando o quanto aquilo era viciante para ela.
O vício era tamanho que até suas roupas mudaram! Ela sempre detestou verde. Como uma boa corintiana, não podia usar as cores do arquirrival. Murilo era o palmeirense louco (nada é perfeito, né?) e o verde nele era tão natural que ela se apaixonou pela cor e começou a comprar algumas roupas para ir na academia ou sair com as amigas…
Ele já havia a convidado para um happy hour algumas vezes, mas ela resistia ainda por toda a “ética” em seu relacionamento, mas não podia mais mentir que nem sabia (ou queria saber) do seu noivo. Ela percebia o esforço em manter uma conversa ou saber das suas “novidades”, mas ela apenas não se importava ou tinha interesse. Isso a machucava, mas não tinha como transparecer normalidade…
Ela sabia que ia acontecer cedo ou tarde. Era impossível resistir tanto tempo e com tanta vontade de sentir o Murilo de uma maneira diferente. As conversas esquentavam, as fotos também. Ela se viu até enviando fotos quase nuas- ela e Claudia riam porque era seu “primeiro nude” que enviava e nem sabia se enquadrar nessa “arte” – no meio de toda aquele tesão que pairava na conversa…
Por mais que ela soubesse e sua consciência gritava pelo erro, o seu impulso escorpiano gritava mais alto naquele momento.
O garçom chegou com o pedido. Um prato igual que ela havia comido há duas semanas. Bufou silenciosamente por toda aquela chatice de rotina. Tentou brindar com seu noivo, que era algo que ela sempre fazia de maneira alegre, mas que naquele momento foi totalmente forçado e chato. Ele a olhava de maneira quase suplicante, mas ela fugiu do olhar – ele parecia um estranho ali (ou era ela a estranha naquele momento?).
Quando voltavam para casa, no mesmo caminho e nas mesmas ruas de sempre. Com os quase mesmos comentários tolos… Ela decidiu! Abriu o WhatsApp e enviou “Terça-feira, aquele happy prometido?” menos de um minuto veio a confirmação dele, seguido de emojis de coração e diabinho. Ela sorriu aliviada mesmo com o frio na barriga que começou instantaneamente…
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