E ele entra naquela rotina de vestir suas verdadeiras roupas e enfrentar sua realidade fria e cruel durante o fim de semana…

Ele fecha a porta e deixa a mente divagar entre questões e feridas abertas. Deixa a angústia guiar seus minutos. É o momento que os monstros da sua cabeça ganham a liberdade e perambulo pela casa, livres. Cantam canções dolorosas, revivem as derrotas do caminho. Manipulam momentos complexos e se divertem com a dor causada.

Ele encontra um alívio na primeira vodca do dia. A segunda acalma e o gosto doce parece divertir seus lábios. Abre uma garrafa de vinho, baila pela casa ignorando qualquer presença e depois repete o processo. Adormece alucinado e sem lembranças. Desperta na manhã seguinte e tenta dizer que tudo está bem. Caminha pela casa e percebe coisas fora do local, tenta concluir uma tarefa já realizada e percebe que sua mente tem uma lacuna de acontecimentos – e ele agora apaga cada vez mais cedo.

O domingo segue com a presença da culpa e ele jura mudanças que sabe que não poderá cumprir. Tenta manter a sobriedade, mas as dores voltam. As lágrimas brotam no rosto e ele chora pesadamente por horas. Ele abre um whisky e com a mão trêmula tenta suplicar para que tudo isso termina. Ele adormece pela tarde e acorda com metade da garrafa vazia e uma nova amnésia surge em sua saga.

Ele adormece culpado e tem um sono leve, confuso e angustiante. Desperta no dia seguinte pronto para o trabalho. Faz a barba, toma um banho revigorante e antes de sair olha pelo espelho e ensaia seu sorriso. É aquilo que vai acompanhar ele durante os próximos dias. “Sorria porque as pessoas acham que você está bem.” é o mantra que ele repete cada momento – e segue enganando todos ao redor…