Passado todo esse tempo – e também todos esses capítulos anteriores – chega hora de escrever quais foram as conclusões dessa jornada que foi o Caminho percorrido…
Escrevi o primeiro livro, Retratos de um Caminho, logo no retorno do Caminho. Lembro escrevê-lo praticamente no automático, com as lembranças, os planos, sensações, choques e surpresas à flor da pele. É um livro curto, mas extremamente fiel e emocionado. A ideia era exatamente essa: externar toda a emoção sentida e como foi que tudo aquilo se “concretizou” na minha vida. É praticamente um manual de instruções sentimental, para você ter o necessário para embarcar nessa jornada e não se arrepender de ter falhado em alguma parte – é impulsivo, mas ainda assim concreto.
Já com esse livro, eu tomei o cuidado de deixar tudo assentar devidamente. Quis dar tempo para me acostumar com a “desordem” das memórias e reviver os diálogos perdidos no calor do momento. Quis entender realmente quais as sensações melhores descreveram todo esse Caminho e o que foi que ficou para sempre. Esse é um livro muito mais longo, mas ainda mais real e verdadeiro. Não que o anterior fosse mentira, muito pelo contrário, mas verdadeiro no sentido de estar “mais maduro”.
Depois de todas essas páginas, frases, lembranças, fica bem fácil definir quais foram as conclusões do Caminho. Digo as conclusões porque são muitas que te invadem e te clareiam a perspectiva na sua vida. Não concluí uma coisa apenas, mas sim um montão de coisas que pouco a pouco vão se automatizando na nossa vida – ou nesse caso, no novo caminho iniciado há poucos anos atrás.
A principal delas é o valor irrestrito em ser verdadeiro consigo mesmo e também com os que estão à sua volta. Mais do que sempre falar a verdade ou não cultivar mentiras, ser verdadeiro é estar atento aos seus valores e com sua consciência limpa de que você fez o certo. É uma conclusão simples na descrição, mas bem difícil de se aplicar nos nossos passos. Quantas vezes nos calamos e deixamos algo passar por “medo” da outra reação? Quantas vezes ouvimos um amigo e não externamos nossa opinião sincera, porque isso poderia “impactar a amizade”? Quantas vezes ouvimos algo que sabemos que é errado e “deixamos para lá”, porque isso não vai ser algo tão crítico assim?
Ser verdadeiro é lutar contra esses bloqueios e medos que temos todos os dias. É agir sempre da melhor maneira possível e entender que tal coisa é certa e tal coisa pode ser nociva e errada. É escolher um lado e seguir, apoiando o que for necessário, auxiliando sempre os que precisem e deixando bem claro que estaremos ali sempre, porque essa é nossa “maneira de ser”.
Uma conclusão um pouco filosófica, mas extremamente verdadeira, é que quando “abrimos mão” de certas coisas, ganhamos espaços para o que nunca imaginamos. Como se tivéssemos um armazém cheio de coisas fúteis, muitas que nunca usamos ou nem sabemos porque mantemos por perto. Ao liberar certos espaços “ociosos”, o “universo” (ou o que você acreditar ou quiser chamar) nos envia novas situações que nunca imaginávamos receber. Esse sentimento já havia me ocorrido um pouco antes do meu aniversário de 40 anos – inclusive escrevi em uma das minhas postagens de fim de ano, que eu estava encerrando ciclos para que eu ficasse mais leve para a continuação da jornada. E é exatamente esse o sentimento. Analisar tudo o que guardamos e fazer uma limpeza do que já não nos serve, o que nunca usamos, o que já não faz sentido, o que já passou do tempo – e até QUEM já não precisa estar próximo da gente…
Como estamos sempre em desenvolvimento, é básico pensar que não somos os mesmos que há 1 ano – imagine então a diferença brutal em 10 anos. Logo, essa limpeza nos trará novas oportunidades e situações, que se encaixem muito mais com o que somos agora e tudo aquilo que estamos liberando, poderá voltar para nosso caminho se for algo bom, mas também voltará mudado, atualizado, mais “encaixado” com o que somos HOJE – não o que já FOMOS há alguns anos (ou décadas).
Isso passa por renovar amizades, deixar irem pessoas que já não agregam em nossas vidas. Deixar antigos amores, vícios, rotinas e renovar todos esses sentimentos e ações por nossa parte. Renovar é uma ação poderosa, mas que requer bastante coragem. Porque existem tantas coisas enraizadas em nossa vida que, ao menor vento de mudança, pode causar uma falsa dor e causar certos “tremores” temporais em nossas estruturas… Mas, lembre-se, se já não faz sentido para seus passos atuais, o melhor é arrancar – e limpar tudo depois que terminar. Tenha certeza, o que virá de novo, fará valer a pena tudo isso.
E talvez a minha primeira conclusão do Caminho, foi exatamente a minha principal motivação em realiza-lo: AGRADECER.
Agradecer vai muito além de postar “gratidão” todos os dias em suas redes sociais. Agradecer é muito mais que uma palavra, que hoje já é quase um predicado chulo. Agradecer é muito mais uma mensagem…
Eu iniciei o Caminho com a intenção de agradecer tudo o que havia acontecido na minha vida até então. Agradeci por diversos momentos, situações e pessoas que cruzaram minha vida nos 40 anos de existência. Agradeci o que eu ganhei vida. Agradeci o que perdi na vida. Agradeci as pessoas que conheci. Agradeci as pessoas que se foram. Agradeci as pessoas que me tiraram de suas vidas. Agradeci os amores que tive. Agradeci os amores que não tive. Agradeci os empregos que tive. Agradeci os empregos que tiraram de mim. Agradeci ao meu joelho por suportar toda a loucura. Agradeci à minha saúde, por me manter vivo. Agradeci a minha família por todo o suporte financeiro, social, educacional e me formar como ser humano desde o dia 1…
Essa foi a parte fácil de agradecer…
Mas aí veio o Caminho e me mostrou tantas situações que eu não enxergava, tantos bloqueios. O Caminho lançou luz em “cantos” do meu passado que eu não havia notado. E, no último dia, quase sem poder respirar de tanto chorar, eu agradeci a todos esses pontos obscuros… Agradeci os que duvidaram de mim. Todas as pessoas que me sabotaram. Agradeci a cada um que me prejudicou. Agradeci a cada um que me causou mal. Agradeci cada tombo e cada falta de ajuda que recebi durante esses anos.
Por quê?
Porque cada mal desse me moldou, me preparou, me fez ser mais preparado hoje que ontem. Me fez enxergar que eu não tenho medo de cair, porque eu vou levantar. Porque enquanto eles estão rastejando e querendo mal de tanta gente, eu estou aqui – construindo meus passos, realizando meus sonhos, estruturando uma vida que eles jamais terão. Cada tapa na cara recebido, doeu na hora, mas hoje eu nem me lembro mais… Cada derrubada que eles riram de mim, foi como um degrau extra na minha escalada.
E, como o Alessandro disse antes de eu entender tudo isso, eu sou merecedor de tudo o que acontece na minha vida e que tudo o que tenho é o necessário para que eu alcance todos os meus sonhos.
E claro que esse livro, essas lembranças, histórias, revelações e mudanças todas são culpa de todas as pessoas que apareceram em meu Caminho – seja por um curto momento, seja por dias e dias. Agradeço muito ao John, Stephen, Rubi, Max, Kristyna, Alessandro e Luís. Foram mais que amigos. Foram os mensageiros que eu precisava para suportar as etapas e criar as melhores Lembranças de um Caminho que eu poderia imaginar.
Nos vemos pela nova vida criada.
OBRIGADO.
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