“Traga-me o horizonte pela manhã, pois quero ver o que conseguirei ter com ele…”. Foi assim que a carta, amassada e esquecida pelo tempo, terminava em seu rodapé…
Se fosse escrever sobre como se apaixonou, começaria errado. Se fosse falar como terminou, terminaria errado…
Às vezes lembro do nosso último beijo. Não sabíamos que este seria o beijo que selaria nosso fim de uma maneira tão comum ou desavisada…
Era a primeira vez que ouvia aquele telefone tocar. Mesmo antes de atender, eu já sabia quem estava ligando…
Tentava disfarçar a marca no pescoço com uma maquiagem barata. Sorria sozinha, lembrando das loucuras de noites de verão das quais jamais se orgulharia…
Ela havia ganhado a vida anterior em apostas e vitórias gordas. Ele sabia que não tinha sido a sua primeira escolha…
Queria outro lugar. Precisava de outro lugar. Um lugar novo, com tudo novo, reiniciando do zero — pela milésima vez — já que todos os seus planos falharam, como sempre…
Essa foi uma das últimas conversas que tivemos. Éramos apenas esses novos adultos que pensavam demais e achavam que sabiam de tudo…
Ele sempre sonhava, mas nunca se lembrava dos seus sonhos. Acordava com uma pontada na cabeça e um apagão na memória tão corriqueiro que já era seu despertador natural…