Seguia pela rua levando seu frasco bem fechado e protegido. Era como se dele, dependesse a sua vida e felicidade…
E sabia que aquele frasco representava ele. Era até bonito e imponente por fora, mas estava quase vazio por dentro. Era essa a sua vida afinal. Um frasco que talvez existisse alguma paz ou propósito, mas que já havia perdido toda sua validade e utilidade. Era um conjunto de lampejos de um passado que se perdeu em datas e flutuava entre o “muito tempo atrás” e o “nem me lembro quando…”.
Houve uma época diferente. Uma época alegre e frutífera. De bons modos, festas alucinantes e ressacas necessárias. Havia certa poesia melada, safada e alcoólica demais para se prestar atenção. Havia uma necessidade de definir o amor, mas nunca usá-lo, pois tudo era carnal e que não se sustentava por mais de duas voltas.
Com toda essa fragilidade sem construção aparente, o futuro nem notou quando soprou suas vertentes para a vida dele e nada deixou. Por mais bizarro que parecesse, a vida dele toda resumia-se naquele frasco. E cada vez que ele abria para saborear o que foi vivido, o vento do presente esvaziava parte a parte.
O dia que tudo fosse sumir, estava mais próximo do que seus olhos poderiam prever…
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