Ele terminou seu copo e tentava pedir desculpas com os movimentos e braços. O silêncio agora era algo nocivo…

“Por que devemos ‘TER’ um amor? Por que devemos AMAR algo? É isso que nos faz completos e satisfeitos no mundo? O que acontece se hoje descobrirmos que nossos pais não se amam, mas têm um carinho e um respeito tão grandes pelos seus – e nos incluímos aqui, que relevaram muitos problemas, angústias, desilusões e até traições, em nome de algo ‘construído’ e que ‘perpetuará’ para além dessa união deles?”

“Mas o amor não é carinho, respeito e uma junção de outras coisas?” falou o outro rapaz que estava no bar, criando um novo drinque.

“Claro. Como tudo é uma junção. A Terra, plana ou redonda, é uma junção de circunstâncias para ser o que é – seja ela bíblica ou científica. Meu ponto é: O que é o amor? Ninguém sabe. Ninguém consegue criar uma equação e provar que existe. Ou uma resposta completa. O amor é tipo o ar que respiramos certo? Sentimos, mas não sabemos como se produz e onde termina… Ele paira aqui. Não é palpável, mas sustenta a vida.”

“Isso” disseram quase em uníssono.

“Mas e se isso tudo se chamasse ilusão? Concordam que é o mesmo caso? Algo que não existe, que a gente alimenta até certo ponto e talvez acabe ou talvez não. Volto a dizer, por que ‘AMAR’ ou ‘SE ILUDIR’ quando o necessário nisso tudo, no fim das contas, é VIVER? Como pode você amar alguém se não sabe viver?”

E ele deixou o copo ali no bar. Depois de uns minutos, eles voltaram a beber e falaram sobre as futilidades da vida cotidiana. Dormiram completamente bêbados e o destino, por sorte ou não, nunca seria alterado…