Foram semanas que talvez fossem dias ou meses, pois os dias eram iguais e terrivelmente lentos e sem emoção…
O inverno tem o poder de consolar por um lado e criar uma angústia única de outro. Ele não era de frio. Odiava a sensação de ter que colocar mil roupas e mesmo assim sentir os dedos congelarem. Brincava com essa possibilidade e ficava terrivelmente assustado em ver que suas mãos congelavam rapidamente na rua. Ele criou uma nova rotina, mas estranhamente parecida com a antiga. Os dias passando rápido e sem emoção, mas tentou evitar o álcool porque não queria que os pensamentos viajassem para muito longe… Tentou rimar novos paradigmas com antigas escolhas, mas nunca teve um êxito que valesse a pena. “Paciência…” dizia ele para si mesmo, certo que era a única pessoa ao ouvir.
“Sinto sua falta… Me perdoa?” Foi a primeira coisa que ela disse em um fim de tarde qualquer. Parecia uma pergunta, mas ele sabia que não era. Era o início de uma conversa que há tempos precisaria ter, mas que por motivos além os dois haviam adiado para um inevitável momento futuro… E agora ele havia chego. Ele abriu a porta e a deixou entrar com um abraço que afagou qualquer detalhe vivido anteriormente…
Ele não saberia dizer quanto conversaram e nem os rumos que a conversa tomou. A vida real é algo muito mais complexo do que podemos explicar em um texto perdido. Ela traz revelações, traz raiva travestida de ironia. A vida tem uma dose infinita de injustiça e mentiras que tentam parecer verdades… Os dois se estranharam durante horas, mas sorriram ao fim, revelando um sonho perdido e não um pesadelo berrante.
Ela contou todas as novidades e descobertas que fez. Ele relembrou os motivos pelo qual odiava o frio e amava o calor. Ela falou de lugares e ele corrigiu os pontos que ela se confundiu. Ele contou suas viagens e suas aventuras, ela sentiu ciúmes e tristeza por não vive-las no momento, mas quase prometeu estar presente nas próximas. Ele não convidou e ela entendeu o porque disso…
Ligaram o aquecedor e assistiram ao filme de ação apenas para rirem do mesmo motivo que estavam juntos: do inevitável, do impossível e do que nunca daria certo, mas alegra os expectadores.
Ela dormiu feliz e ele nem se lembrou de sonhar, apenas rever tudo o que havia passado naquele dia. Eles acordaram ouvindo os pássaros e ela comemorou que a chuva havia ido embora… Ele apenas recordou que a primavera estava chegando e que nem mesmo ali, chove o ano todo.
“A vida é engraçada não acha?” Ela perguntou não esperando resposta.
“Ela é apenas a realidade que a gente cria e põe à prova para ver se resiste às intempéries…” Foi o que ele pensou enquanto se beijam pela centésima vez no dia…
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