“Você tem ideia de como estamos agora e como pensávamos em estar?” era uma pergunta que ele fez, mas que não precisava de resposta…
A chuva ainda o deixava molhado, pois não fazia muito tempo que saiu para andar sem rumo pela última vez. Aquela noite ainda martelava na sua cabeça, de como se montou parecendo um conto mágico sem um pingo de realidade. Do imprevisto. Da coincidência. Da falha em fazer rir. Do choque do reencontro. De como tudo apenas bastava, de uma maneira ímpar quando ele ficou com ela. Ele colocou que ali era seu novo início e contemplava, finalmente, a calmaria da vida, depois da destruição das tempestades que viveu…
Ela não havia apenas voltado. Ela havia ficado mais que o devido. Voltou diferente e com seu novo toque, eles mudaram juntos para algo que jamais sonhavam em viver. Não ali, naquela cidade que acolheu, mas que não pertencia a ninguém. O riso solto da companhia, a dor da distância, o suor de um prazer que se completava, as brincadeiras que a fazia ficar séria, a presença sempre leve, boa e a forma que ela se envolvia em seus braços apenas se aquecer na cama.
“Não Má… Nem imaginava que ficaríamos juntos de novo. E assim, sabe? Tão bem…” ela disse isso com um sorriso tão inocente que o fez sorrir junto.
Ele sabia que, se o vento mudasse os rumos desse oceano sempre devastador para ele, seria um novo inferno, mas queria poder curtir um pouco mais esse momento que beirava o inexplicável, depois de tanto sofrimento e desilusão.
Talvez ele tenha entendido os sinais do tempo. O frio não estava presente quando ele a levou até o táxi para sua partida previamente anunciada. Talvez ele tenha esperado um aceno, mas a escuridão tratou de engolir este último pedaço e ele só viu os faróis se distanciando. Levando mais uma vez ela para longe dele… Mais uma vez ele estava ali assistindo uma partida.
Ela prometeu ligar, mandar notícias, fazer planos, contar as novidades, os apuros, as conquistas. Prometeu sempre compartilhar as novas visões dessa nova etapa, temporária, mas que colocou um novo espaço entre eles. Mas a diferença entre realidade e promessa é diferente…
Era uma tarde fria, cinza e ele brincava com palavras difíceis tentando rimar tudo com um sotaque alcoolizado que ele ainda não dominava bem. O telefone vibrou, informando que uma mensagem havia sido enviada. Ele checou, deu um meio sorriso e releu novamente apenas para tentar reencontrar diferentes e inexplicáveis significados… Fechou os olhos e bebeu o último gole da sua bebida. Quando reabriu os olhos novamente já sabia o que teria à sua frente…
A chuva torrencial havia voltado e ele apenas fechou a cortina tentando se esconder do inevitável…
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