A solidão nunca foi tão convidativa quanto ele aprendeu a admirar e a buscar sempre que possível…
Ele contemplava o mar apenas para reorganizar sua mente. Era o seu momento de buscar algum sentido naquele caos intenso e acelerado de sempre. Naquele simples momento, as atribulações da vida, as angústias que brotavam graças a sua ansiedade e o vício dominante da nicotina em seu corpo, pareciam pausar e sumir pelo instante. Sozinho. Quase que perdido em mil pensamentos ou bêbado de uma ressaca interminável. Não importava. Ele apenas desligava o celular, deixava o cigarro de lado e olhava o balançar das ondas. Aprendeu a ser feliz com aquele pouco de vida. Sorria pelo fato de conseguir alcançar a tão almejada felicidade com aquilo. E de graça. Não gastava nada estar ali. Apenas focava para o vai e vem do mar – aquela dança infinita que parece monótona, mas que nunca está no mesmo lugar. É um movimento constante que traz e termina a vida, mas que continua. Sem parar. Sempre.
Respira fundo aquele ar salgado que preenche todo o seu corpo e relaxa a sua enxaqueca que cisma em ser sua companheira mais fiel. O som das ondas quebrando na areia. Novamente o movimento constante. Não sabe rezar, mas não tem vergonha de agradecer aquele presente. Não saberia dizer se aquilo é obra de um ser superior ou se é obra do acaso que a ciência tanto defende. Não importa. Aquele momento é seu e apenas o que importa é sua vida em pausa. Sem som. Sem razão. Apenas o mar. Apenas o movimento. Sem parar. Para sempre…
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