Era a dor de uma ressaca que havia esquecido, fruto do tempo afastado desse vício destrutivo, agora visível outra vez no horizonte…

Um ciclo sem a bagunça que deveria dar início às verdades ditas à mesa. Foi como o beijo roubado nos tempos de adolescência, com aquele impulso ingênuo que julgávamos inocente. A cabeça latejava pelo excesso, a boca seca pelas palavras ácidas despejadas ao acaso. Tinha as melhores expectativas, mas perdeu o ritmo, e o timing foi cruel…

Todos se calaram e se retiraram, tomados pelo choque inevitável. Então, serviu-se da última dose de arrependimento e confessou o crime que nunca cometeu. Chorou sobre os papéis e poesias espalhados pelo caminho. A cabeça latejava com lembranças, e o sabor azedo de algo que corrói por dentro há tempo demais persistia. Sem saber por quê, serviu-se de mais uma dose e terminou aquela garrafa de esperança…