Aqui é um frio não frio. Um frio que está no lugar errado, em um ambiente que não é seu. Um intruso em um mar quente e diferente…

Aqui o frio tira o riso. Tira o brilho da rotina tão harmoniosa e quente. Ele é passageiro e quando chega, se nota pela vontade de ir embora. É um frio de hoje e amanhã não mais. É diferente. Não é parte da normalidade e que se espera sempre. Ninguém se prepara e, mesmo dizendo que gosta, parece algo demais e fora de contexto.

É um frio que não existe e até causa piada, mas é um mal necessário. Um frio que sonha quente, mesmo sendo ele tão… Frio.

É algo que não combina. Parece não encaixar na paisagem pintada pelo sol todas as manhãs. Mesmo na chuva ele parece fora de foco. De contexto. De razão de estar ali. Tem sua poesia forçada, da forma que ele faz as coisas se aquecerem – de mãos, beijos e até coração. E essa, talvez, seja sua única maneira de ser tão importante. Ele desperta a poesia pura – não a poesia lacrada e selvagem que o calor transborda entre beijos e suor.

Mas gosto dele assim. Passageiro. Nunca demais, como já foi em tempos passados. Gosto dele ali sendo um período. Nunca uma rotina. Que ele tenha seu romantismo necessário, que aqueça uma paixão nova, mas que dê lugar, na próxima página, para a ardência e alucinada relação transcrita de verão…