Uma cidade largada ainda exibe sua arte. Seja uma selva de pedra ou uma vila de pedra, cada uma possui suas expressões distintas.
Existe arte na calmaria de um jardim imenso, silencioso e aquecido. Existe arte no frio gélido de uma paisagem coberta de neve.
Existe arte até no caos que vivemos diariamente. No que parece abandonado, há uma história oculta — e há aqueles que conseguem trazer de volta parte daquilo em uma pintura nova ou em um detalhe que passe despercebido para a maioria dos pedestres. No puro vandalismo de letras e grafite, é mais difícil identificar, mas, com um toque caótico, vê-se a ordenação de cores, padrões, significados e, mesmo que longe de regras convencionais, existe uma hierarquia deliberada e revolucionária.
Existe arte no corriqueiro dos nossos passeios: no senhor que veste seu terno para encontrar seus parceiros de dominó na praça ao lado; no entregador de comida estrangeiro; na jovem que vai para o seu primeiro emprego; na senhora que varre sua varanda; no rapaz que volta para casa com o sol nascente; e naqueles que permanecem sentados no bar, tomando os últimos goles de uma noite que insistem em não finalizar.
São visões de arte — da tão famigerada e incompreendida arte. Muito de ponto de vista e pouco concreta. Mas, sem muito esforço, conseguimos definir uma ponta aqui, outra ali, e depois mais outra… No final, temos um emaranhado de expressões que se conectam, se repelem e voltam com novas ligações, para se unirem novamente ao que repeliram no início e repelindo outras conexões, transformando-se em um ciclo interminável — mas perfeito de se ver.
Um ciclo de vida: de tentativa, erro, conquistas e aprendizados.
E termino este breve desabafo com o gatilho que me fez enxergar tudo isso: hoje é um bom dia para começar.
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