Os toques foram frios no corredor de lamentações. Embriaguez, lamúrias e aflições tingiam o povoado local de um tom rubro, acre e indefinido…
O som da cidade já faz parte da minha rotina. Consigo compreender o horário apenas pela quantidade de ruído que entra pela janela.
A tarde estava ensolarada como há tempos não acontecia. O sol foi testemunha do seu pequeno sorriso…
Gostaria de apertar a mão do meu velho amigo e dizer que a busca pelo azul promissor deu certo e que todos os percalços mostrados foram apenas um pouco do degrau que construí até aqui…
As conversas se soltam pela mesma abertura de antes, mas marcham em um ritmo tão frenético que não ganham cadência e se perdem depois das primeiras falas…
Há algumas semanas fui passar o final de semana para visitar um amigo cujos filhos faziam aniversário…
Com um véu seco, impermeável que dança ao vento noturno…
Encontrei meu corpo solto de razão e empoeirado pelas rimas que me picavam. Vi, na silhueta da janela, um oásis perfeito se formando na virada de calendário…
Ela se deita, tentando voltar a sonhar com todo o brilho que lhe cabe na lembrança: das danças suaves e do lindo toque de pétala que treinou e cuidou tanto tempo para ter…