Quis fugir e gritar uma agonia latente. Uma vontade de recomeçar que se perde nas entrelinhas da conversa…
“Talvez eu não precisasse dele, mas precisava ver que existem pessoas ainda vivendo a mesma mágica que eu vivi e que essa espécie de brincadeira é sempre válida e gostosa…”
Ele se calou por um instante para contemplar o azul da primavera. Era a primeira vez do ano que o azul vencia o cinza de sempre…
Em horas de calor e álcool as promessas se intensificaram. Não eram apenas juras sacramentadas, era um início de amor…
Doce melodia tão difícil de cantar. Flashes de memória que transcrevem os momentos que o rádio cantou, em uníssono, o orvalho do anoitecer…
Eu penso em suavizar as nossas extremidades, em tecer um comentário tenro que te faça suspirar com um sorriso matinal…
Você me convidou com o olhar para me sentar ao seu lado e contemplar o infinito do seu quarto mundo…
E enquanto sonhamos com o lindo sol de verão, temos o longo inverno de companheiro fiel…
É um cheiro que não se percebe mais ou um vazio e silêncio de um som que era tão característico. Era um sabor que há tempos não aparece…