Há um conjunto perdido de significados, palavras e sons que nunca saberemos explicar…

Como ecos que surgem antes mesmo de existir, eles se formam e se dissolvem no espaço invisível, onde sombras sem forma bailam sincronizadas, gestos se interrompem e intenções nunca se concretizam. O labirinto é de fácil acesso, mas sua saída, uma incógnita. Dentro de suas paredes confessionárias, os gritos são engolidos, os versos nunca se tocam e as aflições, estas sim, encontram um meio de existir.

Personificamos esse silêncio inaugural e o tornamos protagonista. Ele ganha poder, anda com confiança, insinua-se nas pausas e até paquera o inevitável. Diz que rasteja pelos olhares desviados, mas, na verdade, inverte o jogo assim que inicia a sedução. Precisa desse redemoinho imóvel, porque, se uma mínima faísca de som surgir, ele morre—dissolve-se, desaparece nas sombras do esquecimento.

Às vezes, é nosso melhor refúgio. Outras, um abismo tão convidativo quanto asqueroso. Mas sempre tem peso—sua finitude, sua cruel realidade. Ele pode ser discreto e apreciado, mas nunca passará despercebido por entre as linhas da vida.