Não restou ninguém. Apenas o tilintar da memória arrastando correntes no chão molhado da minha mente…
As vozes calaram,
os rostos sumiram como fumaça em espelho frio.
E mesmo cercado por vultos
o eco não volta.
Não faz a harmonia.
As mãos que me abraçavam viraram vento,
as promessas sussurradas foram levadas
por um tempo que zomba da permanência.
A cada riso que esqueço,
a cada lágrima que já não cai,
percebo: Sou sombra de um alguém que não reconheço mais.
Não há drama nas partidas,
só o tédio da repetição.
O sol se põe outra vez,
sem que alguém o veja comigo.
Hoje, caminho entre os dias como quem tropeça
em pedras invisíveis, como quem tropeça em lembranças.
Adormeço com olhos abertos,
esperando ser alguém que não sou mais,
esperando sonhar com um fim que já não existe.
Não há lamento nessas estrofes. Não há solução.
só a constatação nua e crua.
Existir, no fim, é apenas um silêncio que aprende a andar.
Conte-me algo aqui...