Era uma rosa — mas não daquelas que se oferecem nos buquês chiques das grifes de estandarte. Era uma rosa espelhada, feita de reflexos partidos e vontades caladas…
Carregava em cada pétala o peso de um talvez, como quem foi moldada para a beleza, mas condenada à frieza. O destino não lhe sorria; apenas a observava de longe, com aquela indiferença elegante de quem já viu tantas flores murcharem antes. E ela era apenas um número tão alto que ninguém sabia dizer.
Ao redor, pedaços de vidro — não enfeites, mas fragmentos do que um dia tentou ser inteiro. Cada caco guardava a silhueta de um desejo cortado. Sangrava, sim — não de vermelho, mas de luz estilhaçada. E o orvalho, esse delicado verdugo, gotejava lentamente sobre ela. Não para salvar, mas para acompanhar seus últimos momentos em gotas calmas, como quem chora devagar para não acordar o que está partindo…
Conte-me algo aqui...