Estamos doentes aqui, cercados por perguntas que giram em círculos, enquanto as respostas escorregam pelos dedos como areia molhada…
Talvez seja hora de parar de fingir que sabemos o caminho. Já tentamos antes, e talvez tentemos de novo — mas, se não funcionar desta vez, vamos empacotar nossas mágoas, enfiar sonhos meio desfeitos nas malas e sumir pela estrada do destino. Todo mundo tem um palpite, um conselho, uma direção. Mas estou cansado de sugestões vazias — como se a vida fosse um mapa e as dores, simples desvios. É como se nossos planos audaciosos sempre errassem o alvo, e o que sobra nos restasse aceitar, sorrir e manter por perto como lembrete dos fracassos.
E eu percebi, naquela antiga vez, que já me perdi faz tempo. O que poderia ser ruim agora me parece palpável. Como flutuar num mar sem nome, onde o norte não importa e o céu muda de cor só pra te ver olhar. Então venha. Navegue comigo para o longe. Sem perguntas, sem planos. Apenas deixemos nossos corpos à mercê de uma maré que muda com a força da lua, reciclando mapas e rotas alternativas. Troquemos a estrada empoeirada pelas ondas, que podem trazer tanto a calmaria quanto a loucura da fartura. Deixemos o vento escrever o que seremos.
Se o mundo insiste em estar errado, que ao menos estejamos certos um no outro. Vamos nos perder oficialmente, porque já estávamos perdidos muito antes de escrever nossas derrotas…
Conte-me algo aqui...