Não gosto mais de sorrir sem sentido, nem vejo graça em abraços nos (des)conhecidos que não sabem da minha vida…
Não sei onde estava com a cabeça ao traçar minhas metas em virtude das minhas conquistas. Elas deveriam ser apenas parte da minha base, não do caminho. Entendo o dinamismo que percorre pelos minutos. Ora estão apontando para um lado superior e ensolarado, ora estão rentes ao noturno inverno que a vida experimenta. Altos e baixos. Vitórias e derrotas. Verão e inverno. Tudo se conecta e são partes de um grande ciclo que vivemos diariamente. Não existe um inverno completo sem que o outono termine e faça seu trabalho para a primavera preparar o terreno para o calor do verão.
Eu decidi não me importar mais e entender tudo o que a vida mostra em seu ciclo de estações.
Entendi que as maiores quedas e tristezas acontecem logo depois de um gosto alegre de vitória e paz. Entendi que a vida tem seus altos e baixos e gastar energia para remar contra essa vertente é perda de tempo. Entendi que tudo o que acontece é premeditado pelas nossas escolhas e querer mudar o jogo no meio da confusão não vai adiantar. Entendi que vou perder grandes amores por erros infantis e criar amores impossíveis pelos mesmos erros. Que vou ficar sozinho um bom tempo para pensar nas minhas decisões e também me sentir vazio cercado de um monte de gente que eu achava ser importante na minha vida. Vou perceber que quantidade não é qualidade, que às vezes é necessário ficar em casa um final de semana inteiro, revendo os filmes e chorando pelos mesmos finais, apenas para perceber que ainda existe algum sentimento dentro de mim. Vou perceber que um beijo pode significar um início ou um fim e cabe a mim, com todos os meus erros à flor da pele, escrever as linhas deste capítulo. Vou entender que, após um sexo, posso me sentir vazio, por mais que eu deseje a mulher que estiver comigo. Vou conseguir seguir minha vida com a dose certa de escuridão e depressão nos meus dias.
Por conta de tudo isso, eu não perco tempo. Jogo limpo e perco relacionamentos, acabo antes de começar, mas finalizo antes de me machucar. Crio laços onde sei que terei uma base para viver e deixo ao pó os que não irão me servir. Excluo pessoas que apenas pesam na vida e digo mentalmente para que a inveja e a negatividade dos sentimentos não se encontrem nos meus passos, vagando para os ares despercebidos. Escorrego pelas minhas infelizes tentativas, mas durmo tranquilo com minhas vitórias. Pequenas ou grandes, eu consegui perceber seus valores e, com isso, eu me rendo e apenas observo as mesmas histórias com outros personagens que a vida me traz neste presente, esperando o mesmo futuro que sonho e que nunca conheci…
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