Existem épocas em nossas vidas em que somos destrutivos. Destrutivos no sentido de que TUDO em que colocamos a nossa força ou vontade se destrói…

Seja uma amizade, seja um relacionamento, seja um desejo novo… Tudo vai se destruir em uma velocidade assustadora, até que nada sobrará.

Exemplos de como isso acontece com todo mundo são infinitos. Perco as contas das músicas que falam de “as paredes ao meu redor estão caindo”, “tudo que construí não existe mais” e por aí vamos, neste ou qualquer outro idioma. O assunto se repete, porque os momentos se repetem.

Costumo pensar nisso como um ciclo em que a vida te faz limpar a sujeira que vai se acumulando. São amizades estranhas que te cercam mais do que deveriam, são relacionamentos que foram iniciados de maneira errada. Pode ser que aquela pessoa que você jura ser especial não passe de mais uma bizarrice da tua vida e até mesmo aquela outra que você conhece há tanto tempo tenha mudado de uma maneira que você já não suporta mais, mas tem medo de admitir.

Não adianta brigar ou se entristecer por isso. A vida tem seus mistérios e nada há que possamos fazer em relação a isso.

Aceite.

O fato de isso se destruir abre espaço para novos horizontes se aproximarem, conquistando um novo território/admiração no seu mundo. O máximo do clichê “precisei perder tudo para perceber o quanto eu era infeliz” pode ser aplicado agora. E, cá entre nós, ninguém morre por perder uma pessoa que “achávamos” ser legal…

Pessoalmente falando, costumo acelerar essas decisões quando percebo que o ciclo começa a rondar meus dias. Acelero no sentido de me expor com opiniões e sentimentos que sei que podem afastar as pessoas “menos preparadas para viver aquilo”. É um sentimento egoísta talvez, mas também deixo a pessoa livre para seguir o seu caminho. Afinal, o lance destrutivo é recíproco: se ela não servia para minha vida, eu também não servia para ela. Nem pense que você é um ser evoluído e que quem perdeu foi só a pessoa. Você também perdeu, mas isso acontece por incompatibilidade de mundos e não por níveis evolutivos diferentes. Ninguém é melhor que ninguém, certo?

Já perdi namoricos, meu mural de fotos talvez tenha mais pessoas que já não reconheço e até vi pessoas com quem fui ligado por décadas se transformarem em um tipo insuportável de convivência… E, pensando assim, eu também me transformei nisso para a pessoa!

Talvez seja triste, mas faz parte de algo misterioso e cíclico que a vida nos convida a viver.

Às vezes, essas situações destruídas se reconstroem no futuro. Mas o fato é que a construção será diferente, mudanças virão e a estrutura será outra. É tudo novo e pouca coisa do passado estará ali. Afinal, a pessoa é outra – e você também.

A graça da vida é ela mudar constantemente. Quem for ficando, que fique… O “para sempre” nunca existiu, logo o que for para destruir, que faça da melhor maneira possível e que o ciclo se complete sem maiores danos ou lamentações…