Encontrei meu corpo solto de razão e empoeirado pelas rimas que me picavam. Vi, na silhueta da janela, um oásis perfeito se formando na virada de calendário…

Eu não sabia como recorrer às lembranças que deixei para trás, aos amores que não vivi e às paixões desvairadas que deixei de poetizar e transcrever. Dois anos se passaram desde os meus últimos passos nesta calçada de luz opaca e eu ainda não sabia os olores que pairavam das minhas últimas baforadas.

Reli minhas lamentações e esqueci para quem enderecei tais lágrimas. Disto, sei que me curei das falhas, apaguei da memória volátil as fotos que, em um dia de álcool depressivo, quis tatuar em minha pele para jamais esquecer. Cresci por fora, deixei as coisas para trás no caminho e me fez bem voltar e ajudar na limpeza do hoje…

Sou o poeta de sempre, mas sem uma deusa imaginada para poetizar. Sou o desgarrado de ontem, mas com um limpo sorriso de tesão no olhar. Sou o último escrúpulo que poderia retornar, mas minhas veias me quiseram de volta, e por elas refaço todo o caminho de antes.

Vou em busca de algo novo ou de velhas parábolas com novos capítulos…

Eu volto porque, na verdade, eu nunca fui.

Apenas me levanto e busco meu lápis acolhedor. Dou o primeiro passo em falso, apenas procurando a próxima relva para trazer de volta à vida as imagens que permitirem um pouco da minha história rabiscada de frescor envelhecido…