São vidas que dizemos perfeitas. Cheias de vitórias, glamour e conquistas. Mas foram construídas justo antes de a maré encher — e a natureza sempre é implacável…
Joguei os predicados na mala e os fiz pesar com velhas desilusões baratas…
Havia um papel amassado no canto da gaveta. Ele não estava jogado, mas guardado com o descuido proposital de quem queria lembrar…
É como o cheiro que se propaga sem ao menos ser convidado à festa. É a dádiva de um mínimo esforço que se consagra campeão por antecipação…
O sangue cobre todo o construído de imagens, poesias, canções e nossos predicados…
Foram frases jogadas em uma ajuda melancólica. Uma investida de lembranças, mas pareciam lágrimas com sorrisos…
Se esquecêssemos das palavras de antes, também as memórias dos momentos iriam se apagar?
Eu parti sem choro de volta. Parti despedaçado por estilingues infantis, por números desconhecidos e rabiscos de término…
É como se, ao vestir as mesmas roupas de antes, o tempo voltasse a ser o mesmo e tudo recomeçasse do zero…