Eu ainda esperava que o interfone fosse tocar e sua voz mandasse abrir todas as portas por aqui…
Nessa mesma data no passado tudo era tão diferente. Era um outro tempo que a normalidade feliz ecoava em outras paredes…
Um recado deixado na caixa postal da vizinha fez aparecer uma nova luz de esperança por aqui…
Ela fez a assinatura na sua obra e a deixou ao sabor do vento. Dizia sempre que não criava nada para si e deixava o destino decidir…
Cacos são fragmentos de sonhos que foram construídos pelo trabalho e destruído pela manipulação…
Era uma rosa dobrada por um tempo que nunca deveria existir. Ela sofrera todos os males que nunca deveria ter ouvido…
É da razão da chuva, que se transforma o sabor do orvalho… Das pequenas pétalas, que pintamos os melhores cartões postais… Das inúmeras feridas, que se cria um coração…
Ao caminhar por entre os caminhos da comparação e transformação, descobri meu significado criativo, meu motivo e minha busca. Dos meus olhos não acostumados, consegui enxergar uma pureza abstrata e nela consegui introduzir a paixão desvairada.
Com palavras soltas, criei as poesias que me definem e me explicam. Em campos abertos, encontrei um lugar pequeno para meus maiores sentimentos e, sem clausura, consegui ditá-los para o infinito silêncio. Se hoje carrego certa experiência, minha bagagem era leve no começo e pude coletar o volume máximo de imagens e de situações…
E disto, olho para um horizonte bilateral e enxergo um oceano inteiro de inspiração para a vida… Deixando estas frases, soltas pelo caminho para aqueles que ainda procuram respostas…
O sol nasce mais um dia. Você põe um sorriso no vento e carrega nas costas mais do que suas roupas…
É um sol esquisito que brilha mais do que o princípio. É uma aquarela com tons indefinidos que percorrem o rio…