E assim começamos mais um ano com a magia de que tudo é possível, e tantas novas oportunidades surgem no nosso horizonte…

São nossos cadernos ainda intocados, tênis aguardando passos firmes e uma grande odisseia de exercícios e explorações. Agendas com páginas em branco, mas coloridos lembretes dos nossos “minis objetivos”, como checagens de como estaremos. Tudo parece possível, e nós acreditamos, com uma mistura de esperança e medo, que agora vai ser diferente…

Criamos inúmeras listas: acordar cedo, inscrever-se na academia, marcar nutricionista, começar a dieta, ligar para velhos amigos, marcar consultas médicas e cuidar melhor da nossa saúde. Cada promessa é um balão colorido preso a uma fita tênue. Olhamos para elas e sorrimos, imaginando como mantê-las firmes ao vento dos dias comuns. O entusiasmo ainda é contagiante, e por um momento sentimos que controlamos tudo muito bem, inclusive que podemos segurar o tempo em nossas mãos.

Mas as semanas vão se passando e encaramos a realidade. Os meses passam rápidos demais. Os balões se soltaram e nem percebemos. A agenda volta a se fechar, o tênis permanece no canto, o livro continua intocado, a consulta cancelada, a dieta iniciada, reiniciada e esquecida. O entusiasmo some entre compromissos, pressa e distrações…

Não há drama, apenas uma suavidade melancólica: o esquecimento não é traição, é apenas humano. Fazemos planos e temos mil sonhos com atividades e conquistas, mas não planejamos mudar nossa mente para tudo o que queremos. Não enfrentamos nossa preguiça, nossa eterna força de procrastinar e até mesmo de alterar o simples ciclo de sono para despertar mais cedo.

É nesse “silêncio de ações” que aprendemos. Talvez as grandes promessas não resistam, mas pequenos gestos sobrevivem. Um telefonema inesperado, um passo a mais na escada, uma frase escrita no caderno que nunca mostramos a ninguém. Eles são discretos, quase invisíveis, mas vivem.

No fim, percebemos que as promessas que realmente importam não nascem no brinde do Ano Novo, nem na fogueira do entusiasmo. São os pequenos gestos, atitudes e minúsculas ações cotidianas que são fortes o suficiente para criar uma base planos e conquistas maiores.

Que este novo ano te traga essa visão: mude o básico, fortaleça o invisível e ignore o fogo do entusiasmo do primeiro dia do ano. É melhor uma pequena mudança e uma vitória invisível do que ter um monte de balão perdido para justificar depois…