Talvez tudo isso que chamamos de vida seja um jogo, sem regras claras ou finais gloriosos e de sucesso…
Talvez seja tudo um jogo de peças — peças como nós — moldadas pela rotina do ganha e perde, pelo acaso e pela vontade silenciosa do tempo. Caminhamos como quem sabe jogar, mas no fundo apenas reagimos aos dados lançados por algo maior do que nós. Jogamos com esperanças disfarçadas de escolhas, carregando o fardo de vitórias vazias e derrotas que doem mais pelo silêncio que deixam do que pelo que nos tiram.
Somos artistas, mesmo sem palco, mesmo sem plateia. A arte que nos define não é a que se pendura em paredes, mas a que escapa nos gestos simples, nas decisões pequenas, na maneira como sentimos o mundo. Sobrevivemos criando — não obras, mas sentidos. Criamos coragem para continuar, criamos amor em terrenos áridos, criamos beleza onde só havia dor. Criamos porque é isso que nos mantém de pé. Porque viver é, em última instância, inventar maneiras de não desistir.
A personalidade que mostramos não é quem somos — é quem o mundo espera que sejamos. É uma máscara antiga, herança de teatros que já não existem, mas que ainda atuam em nossos dias. A persona que vestimos é o disfarce da força, o escudo contra o medo de sermos expostos. Aprendemos a parecer seguros, ainda que por dentro sejamos uma confusão de dúvidas e ruídos. E assim seguimos, acreditando que ser forte é esconder, quando talvez seja justamente o contrário.
Tudo se costura num ciclo: moldamos uma personalidade e, com ela, pensamos. Pensando, tomamos consciência e passamos a existir. A existência nos empurra à vida, e vivendo, precisamos criar. Criamos e, sem perceber, nos tornamos artistas da própria história. Artistas são aqueles que sentem — e, ao sentir, voltamos a perceber. E, ao perceber, nos reconhecemos como peças outra vez. E então, mais uma vez, moldamos a personalidade. E o ciclo continua.
Essa talvez seja a filosofia do ser. Uma espiral de identidades, de repetições e de pequenos despertares. Um conto contínuo, feito de gente que tenta. Gente que sente. Gente que, entre máscaras e memórias, vai tocando a vida com a esperança de que, em algum lugar dentro ou fora dela, algo disso tudo faça sentido.
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