Completo meu nono ano fora do Brasil e comemoro meus cinco anos vivendo em Barcelona…

Apesar de saber que era uma mudança para a vida toda, eu não esperava completar quase uma década longe do Brasil. Talvez eu soubesse que chegaria a esse momento, mas, obviamente, não conseguia prever, lá em 2016/2017, como estaria e o que eu “seria” tantos anos à frente. Já disse aqui mais de uma vez, mas aquele Matheus que chegou em 2/3/2017, perdido entre palavras, sotaque e maravilhado com o “novo”, já não existe. Nenhum resquício sobra daquela pessoa, e é curioso dizer que eu não a reconheceria mais — mas a ajudaria a suportar todas as porradas e derrotas que viriam nos primeiros passos…

A vida aqui sempre foi dinâmica. Mesmo que tenha sido interessante e motivadora, teve muitos pontos complicados e cruéis. Não adianta tentar enumerá-los aqui, porque são pessoais demais, mas nunca deixarei de lembrá-los e de agradecê-los pelos ensinamentos e pela base que me mantém hoje.

Mas uma coisa se mantém intacta desde aquele plano criado em 2016, ainda em Campinas: a vontade de desbravar o mundo e provar que sou capaz de assumir minhas responsabilidades profissionais e pessoais. Além disso, o plano sempre foi continuar melhorando — nunca parar de crescer na vida e nunca me “acomodar” com determinada conquista.

Talvez por essa vontade eu tenha mudado tanto nos primeiros anos. Mal deixava a poeira das loucuras baixar e já partia para uma próxima aventura, para novos desafios. Até que, em 2020, cheguei onde eu sempre “sonhei” — mesmo não conseguindo mais chamar de sonho: Barcelona. Pré-pandemia, cheguei e logo toda a loucura começou. Voltei ao Brasil para esperar a nova poeira baixar (a diferença era que, agora, a poeira era mundial, não apenas causada pelos meus passos). Provando que Barcelona era diferente, no meio da pandemia consegui um novo emprego aqui. Empresa maior, cargo melhor e um plano audacioso e convidativo… Barcelona, desde o início, mostrou-se única e intensa para a minha vida.

Depois de pouco mais de um ano em Dublin e depois em Lisboa, hoje me assusto ao ver que inicio o meu sexto ano aqui. Sim, Barcelona sempre esteve no meu horizonte, mas eu não esperava — nem nos meus planos mais insanos — viver tanto tempo aqui. Foi aqui que encontrei meu combustível: um mix de desafio, alegria, paisagens incríveis, insanidade e dificuldade, na medida certa. Mesmo nos dias em que penso em comprar o próximo voo para o Brasil, respiro fundo e me acalmo com a realidade que tenho em mãos.

E acho que tudo isso descreve perfeitamente o que quero dizer quando afirmo: eu não imaginaria estar aqui e eu não reconheceria aquele Matheus de 2017…

Em nove anos, mudei demais. Tive que mudar. Tive que me adaptar às novas realidades e às novas oportunidades que me foram oferecidas. Tive que aceitar derrotas. Tive que compreender os desafios e os estágios de cada fase… Não apenas para sobreviver, mas para crescer e me desenvolver — que sempre foram os meus objetivos por aqui.

E, é claro, tive e tenho muito a comemorar. Desde pequenas vitórias até grandes conquistas. Desde novos horizontes até promoções profissionais. Desde descobrir vilas pequenas até explorar grandes capitais que antes só existiam nos livros…

Sim, eu não esperava ficar tanto tempo, mas “cá estou”. Sim, eu não imaginava que tanta coisa aconteceria, mas sigo com as cicatrizes que viraram minha bagagem. Sim, eu mudei tanto que não coloco novos objetivos do tipo “quero durar mais X anos aqui…”, porque sei que a vida é tão volátil quanto passageira. Mas sigo. Vivendo, aprendendo e agradecendo. Sigo criando novas histórias e novas marcas. Novos caminhos e novos tombos… Porque aí vou vivendo, aprendendo e recomeçando esse ciclo ao qual já me acostumei — o “novo velho Mundo de Zuropa” da minha vida. E que eu possa iniciar o próximo ciclo da melhor maneira possível…