São vidas que dizemos perfeitas. Cheias de vitórias, glamour e conquistas. Mas foram construídas justo antes de a maré encher — e a natureza sempre é implacável…
Construímos impérios sobre areia movediça, com as mãos trêmulas de quem sonha alto e tropeça nos próprios passos. Tomamos o níquel da sorte e apostamos tudo no silêncio, na repetição dos dias, na esfera nebulosa que criamos para preencher tudo ao nosso redor. A vida que erguemos geme agora sob o peso das promessas não ditas. Fomos soldados sem guerra, escultores do vazio, prisioneiros do compasso. O chão que prometia firmeza afundou sem aviso.
Entre ruínas e ecos, gritamos para uma multidão: “Estamos aqui.” Mas até o eco desistiu, porque tudo carecia de potência.
E o corvo que não voou descansava em nossos ombros, pesado como culpa antiga. Não houve final — só a ausência de um começo digno para aquele império que sonhamos. Um número contado de trás pra frente. A vida medida em pulsos partidos. Nunca mais foi só um nome. Nunca mais foi só o começo. Nunca mais foi o nosso fim…
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