Outro dia entrei em uma conversa da qual sabia que sairia alguma discussão perdida…

Tenho tomado o maior cuidado do mundo para não cair nessas armadilhas, mas essa foi inevitável. A conversa começou quando alguém disse: “Matheus, você deve ser muito infeliz por não ter planos de casar ou ter filhos…”. E daí comecei a pensar na razão de as pessoas acharem que os solteiros são infelizes, incompletos e “não dignos” de respeito algum.

Admito que não namorei muito na minha vida. Mas isso não quer dizer que me faltem opções ou que eu seja insuportável demais para ter alguém comigo (ok, talvez eu seja, mas ainda assim…). Escolhi ser solteiro. Mais do que um “estado civil”, minha solteirice é uma escolha por saber onde, como e por quem vale a pena me relacionar e oficializar algum relacionamento duradouro.

Sempre acreditei que você não precisa estar casado, ter filhos, ter um bom emprego, um bom carro ou dinheiro para ser feliz. Tudo isso pode fazer parte da sua felicidade. Ou não.

Uma das principais vertentes da felicidade é: SER FELIZ CONSIGO MESMO.

Saber o que faz você feliz (mais do que o comercial do Pão de Açúcar), saber de que jeito as coisas te fazem feliz, ou a maneira como você e o mundo se “relacionam” para isso. Vejo várias pessoas “inserindo” a felicidade como dependência da outra pessoa e aí já começa errado. Ninguém pode ser responsável pela sua felicidade. Ninguém, além de você.

Hoje o mundo está mais louco e mais tedioso do que nunca. As pessoas são voláteis, os relacionamentos se tornam finitos, as traições são tratadas como “crises”, as desconfianças recheiam cada namoro fraco que encontramos na esquina, casais olham mais para o celular do que para si mesmos, e no lugar de risadas e planos, o silêncio paira sobre eles. Pode não ser o seu caso, mas comece a olhar para o lado e veja o que acontece fora da sua bolha, conheça a realidade…

O grande problema disso não são os clichês manjados como “homem não presta” ou “só tem vagabunda no mundo”, pois o problema passa longe das outras pessoas e se foca, exclusivamente, no que não sabemos de nós mesmos. Não sabemos o que queremos, como queremos, e somos infelizes nessa busca implacável por felicidade focando sempre nos outros. Logo, não ficamos felizes com a nossa namorada (ou namorado) e achamos que a novinha do lado é bem mais interessante.

Após o término do meu “grande namoro”, lá em 2009, resolvi tirar férias do mundo e focar exclusivamente nas minhas próprias alegrias. Descobri o mundo (quase literalmente), fiz economias para realizar minhas vontades, viajei quando quis, para onde quis e como quis, troquei de carro, comprei coisas, ganhei coisas e perdi tantas outras…

Vendo toda essa retrospectiva, notei um maravilhoso detalhe: em nenhum grande momento que vivi desde 2010, NENHUM “melhor amigo” esteve comigo. Nunca. Não por falta de convite, mas sim por todos terem outras prioridades na vida. Assim, nenhuma vez tive a companhia de um melhor amigo em uma viagem. Ou seja, se dependesse dos outros, jamais teria conhecido Barcelona, Croácia, Bélgica, Atacama, Uruguai ou até me enfronhado no meio do Canadá para um festival insano de Rock…

Se dependesse da “aceitação” dos outros, não teria largado tudo e vindo morar na Europa, nem mudado de país quando preferi tentar novos ares.

Ou seja, conquistei grande parte da minha felicidade sozinho. Apenas eu e meus tombos, acertos e erros. Hoje sei muitas coisas que, se tivesse namorado, TALVEZ tivesse vivido/experimentado ou talvez não. Seriam outros rumos, outra realidade que não cabe imaginar. O essencial é que olho e falo: “sou bem mais feliz hoje do que em 2009”, e isso acaba norteando (e consequentemente eliminando) minhas decisões e relacionamentos hoje.

Antes de criticar a solteirice alheia, veja se a pessoa tem mais coisas a oferecer. Talvez ela tenha focado exclusivamente em descobrir a sua felicidade e esteja esperando um parceiro para trilhar essa jornada junto, não por dependência, mas por companheirismo. Não para “aprender a viver em dois”, mas para apoiar um ao outro. Não para seguir o caminho natural das coisas, mas simplesmente para somar e crescer juntos. Sabendo o que quer, como quer e respeitando, especialmente, todos os limites possíveis.

Eu escolhi ser solteiro e, sem putaria ou sacanagem, sou feliz assim. Talvez não morra assim, mas não encaro como infelicidade ou tragédia estar “sozinho”. Sei que um dia vou encontrar alguém e, então, trilharemos juntos um caminho diferente, pois ambos já estarão felizes e apenas complementarão um ao outro. Sem rótulos ou necessidades, apenas como duas pessoas felizes vivendo juntas. Simples assim, como um conto de fadas…