Ele continuaria a marcar horas a fio pelas décadas seguintes. Não se cansaria, e atrasaria menos do que o esperado…

Era um cuco forte, grande, vistoso e bonito. Daqueles de que os mais velhos se lembram bem, mas que os mais jovens não conseguem visualizar. Era praticamente uma obra de arte corriqueira que, mais do que horas e sons, simbolizava o tempo de vida — passando de mão em mão, geração em geração.

Mais do que uma recompensa ou herança fajuta, aquele cuco representava inteiramente a vida compartilhada. Estava marcado em fotos, em olhares, em brincadeiras e até no cotidiano. Era evidente e claro — até porque um cuco não precisa de manual de instruções. Apenas corda.

Enquanto usamos a corda para amarrar ou enforcar nossos passos, o cuco usa a corda para viver. Para contar o tempo passado e alertar sobre as horas vindouras. E mesmo hoje, gerações mais tarde — que já não saberiam explicar o que era — ele estava lá: firme e intacto.

Era um cuco forte, que continuaria sua jornada de horas e apitos, precisando apenas de alguém puxando sua corda, estendida a fio, de tempos em tempos…