O alinhamento se inclina, e o que era inteiro começa a rachar. Há luz e trevas, com um clarão sobre algo que já se apagava havia muito tempo…

Não há frase que segure ele e ela no mesmo sujeito.

Não ao mesmo tempo. Nunca no mesmo pulso.

Ela chorou para dentro, gritou por atenção, enquanto ele respirava outro ar, longe de suas súplicas.

Ele correu com as mãos vazias, enquanto ela já estava cheia de outros motivos.

Décadas inseridas em silêncio denso, mortal, como poeira em prateleira esquecida, que apaga aos poucos o brilho final.

Quase hoje: um reencontro por acaso, desses que parecem armadilhas do tempo.

No café depois, riram. Riram de memórias inventadas.

Riram do passado que não tiveram e até do que queriam ter sonhado juntos.

Depois: lágrimas que ensinaram, mas não prenderam.

Angústias que fizeram pensar, mas não sangrar de novo.

Restou a pulga no ouvido: “E se…”.

Mesmo assim, não. Nada.

Ele guardou a solidão como quem cultiva uma planta rara, salvando-se de um mal que já o consumiu.

Ela buscou felicidade entre ruínas já gastas e uma pose que quase não sustentava.

Deixaram passar, e o silêncio voltou ao posto.

Nunca mais.