Era a primeira vez que ouvia aquele telefone tocar. Mesmo antes de atender, eu já sabia quem estava ligando…
A sua voz ainda era a mesma, mesmo depois de tantos anos em que já não me lembrava da última vez. Ela disse que lembrava do meu endereço e que estava chegando.
Eram 9h da manhã de um sábado que começou errado, mas mesmo assim me arrastava para saber mais das novidades que eu nunca me importei. Ela entrou em casa, exibindo uma garrafa da nossa vodca preferida. Sem beijo ou algo assim. Ela apenas entrou, com a vodca em mãos, e me cumprimentou. Ela ainda sorria de uma maneira que eu nada podia negar. Tudo o que ela pedia sorrindo, eu faria.
Eram 9h30 da manhã de um sábado que começou errado, mas estávamos no sofá em que transamos pela última vez, tomando a mesma vodca que nos fez apaixonar um pelo outro. Começamos a compartilhar lembranças: primeiro as dela, depois as minhas. Rimos. Tomamos mais vodca e compartilhamos mais lembranças, mais risadas e mais vodca.
Eram 11h da manhã de um sábado que começou errado, mas eu estava abrindo a segunda garrafa de vodca para continuar aquele momento que eu não havia pedido, mas não conseguia negar que mexia comigo. Ela ainda estava sentada na outra ponta do sofá, talvez lembrando de algum momento incômodo de comentar, mas que pairava no ar. Ela nunca se deu bem com o silêncio entre nós, porque, quando existia silêncio, era quando nos beijávamos e tudo parecia parar. Talvez ela estivesse acompanhando meus pensamentos, porque ela sorria, e eu não podia negar nada naquele momento.
Eram 11h30 da manhã de um sábado que começou errado, mas eu já não controlava nada mais, porque ela me beijou depois de não sei quantos anos, e aí eu perdi a noção do tempo e fiquei naquele transe que experimentei por tantos anos e nunca tive coragem de dizer o quanto amava…
Quanto amava ela. Quanto amava o bem que ela me fazia. Quanto amava aquela insanidade da nossa relação. Quanto amava aquele momento em que nossos corpos estavam unidos e que todo ao redor parecia perfeito.
Eram 8h de um domingo de manhã quando acordei com a porta de casa batendo. Eu sabia que seria assim, mas não me importava, porque ela estava sorrindo antes de dormir, e eu não poderia negar.
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