Ela tropeçou ao sair da cama e caiu em seus sonhos e devaneios mais perversos…

Sempre pensou que chegaria ao fim. Sempre pensava nisso enquanto atravessava todos os altos e baixos — escritos, contados, planejados e descobertos. E só piorava. Eram mais curvas, mais cenas improváveis, mais recapitulações de recapitulações… Já não tinha energia, nem vontade de sorrir, e todos os seus possíveis recursos estavam no vermelho — materiais e espirituais.

Decidiu se esgueirar para o palco principal, deixar toda a plateia perplexa e seguir para o centro da luz, desfilando impropérios e predicados. Recitava versos sem rima, fugas homéricas, derrotas gladiatórias e roteiros cômicos e fatais. Mesclava-se entre cenas naturais e representações em preto e branco, até dignas de um grande espetáculo. Desdenhava dos coadjuvantes que se saíam muito melhor do que ela. Vociferava contra as companhias que apunhalavam suas costas. Caía em contos e anedotas tão absurdos que até o vigário — que dava nome ao golpe — sentiria pena…

Queria forçar o final. Queria ver os créditos. Queria, ao menos, ouvir um aplauso que fosse. Mas não havia ninguém… O público não comprou a ideia, e ela se viu sem roteiro para terminar seu próprio filme. Sua comédia se enraizou em um lugar-comum qualquer, e, quando o príncipe a beijou para quebrar o feitiço, ela se apaixonou pelo amigo imaginário — arruinando o único desfecho possível que aquele tropeço inicial poderia ter levado ao acerto…