E assim vemos as luzes piscando em fachadas e vitrines, como se cada lâmpada fosse a promessa de alegria que falta no nosso cardápio…
Famílias se abraçam entre sacolas coloridas, trocando presentes com risos contidos e olhares que já não se reconhecem. Posam para fotos carregadas de brilhos, cheias de contraste e filtros usados apenas por serem gratuitos. Mais adiante, os embrulhos padecem da mesma dúvida: essa alegria latente salva algo de verdade dentro de nós ou apenas disfarça a ausência de afeto que nos persegue o ano inteiro?
No passado, uma ceia simples, feita com cuidado, iluminava a casa inteira por dias. Cada reunião — dia das mães, dos pais, aniversários e pequenas celebrações — renovava aquele calor humano. Hoje, o brilho vem de néons e etiquetas caras, mas o calor real se resume a poses solitárias, sorrisos ensaiados e hashtags copiadas, coladas e jamais sentidas.
A cena é majestosa, mas a família é dispersa. A árvore parece um monumento à convenção: enfeites estão perfeitamente pendurados, mas até a sua cor beira a falsidade. Tudo ali encanta aos olhos, mas não fala nada ao coração.
Ainda assim, em meio à superfície reluzente, existem aqueles que lutam pela essência do Natal: o desejo de acolher, de partilhar, de perdoar. Um sopro silencioso de verdade, escondido sob a avalanche de falsidade, lembrando que o espírito da data não se compra, não se posa em fotografia, não se imprime em cartão. O espírito do Natal vive nos pequenos gestos, na paciência e no olhar que vê sem julgar.
Que nessa noite, entre luzes artificiais e risos ensaiados, você brinde, desfrute e perceba o verdadeiro Natal — mesmo que ele esteja escondido sob a máscara do mundo, que insiste em postar mais e viver menos.
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