Havia aquela alegria que se veste de riso alto, mas, por trás dos metais, sussurrava uma angústia velha que ria com os olhos fechados…

Os acordes explodiam como fogos contidos, rasgando o ar abafado da sala. É no tropeço de um ritmo que não conhecemos que se constroem as histórias repetidas no jornal de cópias. A escalada de poder se perde no bafo quente do amanhecer, quando até o orvalho desiste de tocar a pele da aurora. A culpa, então, é do que não se vê. Do “algo além”. Sempre mais fácil apontar para o vácuo do que mergulhar nesse baile suado de redenção silenciosa.

A festa explode em si mesma. É verão — implacável e suado verão.

As certezas evaporam rápido, como gelo no asfalto de uma conversa rasa. O vento vem quase como um alívio, mas dura menos que o brilho que espera ser notado. Ela molha os lábios, ensaia um gesto — como se pudesse ensaiar um sentimento. Como se o corpo, suado e perdido, ainda soubesse dançar o baile certo.

A música para. Ninguém percebe. Aplausos tímidos para cobrir o constrangimento. Um agradecimento vazio, quase automático. E então, tudo se desfaz. Silêncio. Evaporação. Adeus e o novo começando de novo…