Os dedos tentam pintar o silêncio que habita nos ossos. Na prisão de vidro, há o eco de um suspiro — nem bravo, nem manso, apenas uma promessa não cumprida…

E me pergunto: quem era eu antes de aprender a calar os espinhos? Talvez tenha sido esculpido por cada desejo desfeito, por cada ausência que pousou no meu corpo como um pássaro moribundo. Enxergo um oceano tilintando, mareando pensamentos que refletem as sombras que vivem dentro de mim. Ensaio lágrimas que não se rendem. Saboreio a ausência de um nome que insiste em existir sem ser chamado. Sinto o movimento latente de um coração sem vida espalhando dores pelas bordas do meu peito.

E então, na penumbra, nasce uma frase não dita, tão viva quanto um grito abafado. Tão íntima quanto a respiração que não chega ao ar. É uma confissão sem destinatário, um cântico que sequer sabe se quer ser ouvido. Mas ainda assim, resiste — porque não há ato mais radical do que falar no escuro, com a voz trêmula, e deixar o vazio acordado. É o lugar onde não alimentamos nossos medos, mas onde eles crescem sem freio, com raízes invisíveis que puxam silêncio das paredes dessa prisão de vidro que ecoa o suspiro inicial…