Você se foi depois do feriado. Era uma noite quente e eu estava embriagado por tudo. Você ficou na mesa do bar enquanto eu dei as costas para o mundo que havia vivido…
Eu nunca entendi minhas razões, mas hoje consigo distinguir algumas nuances do que havia comigo: medo.
Você sempre foi maior que eu, maior do que eu podia imaginar e até poetizar com minha lira fraca e desbotada. Você trazia uma pulsação diferente, um rasgo singular por um oceano de tormenta que era convidativo e totalmente hipnotizante.
Consegui o mais difícil: te fazer companheira. Te fazer caminhar comigo. Consegui te fazer parte desse mundo que, naquela época, eu pouco entendia ou dava razão. Consegui te trazer junto ao meu peito e mostrar que minhas trilhas embaçadas também tinham seu valor…
Você gostou e queria mais. Daí o medo surgiu, e minha próxima razão foi ir embora. Dar as costas para tudo o que vivemos no pouco tempo juntos. Me mostrar maior talvez em tamanho, mas nunca em maturidade. Fui moleque e tentei te dizer isso, mas já era tarde…
A porta que você fechou não se abriu nunca mais. Não foi fechada apenas para o momento vivido, mas para uma vida inteira. Eu tentei te chamar depois, tentei te fazer parte de algo diferente, mostrar que as músicas mudaram e que o refrão daquela época não toca mais aqui. Mas nunca encontrei um vago momento para olhar nos seus olhos e pegar no seu braço novamente.
O filme de hoje é repetido, assim como parecem os meses que tento endireitar essa vida. Mas a cena que me fez escrever essas linhas parece mais viva agora: eu fui o seu novembro, sempre triste e frio, mas sem a neve bonita que embala as festas finais. Hoje, você quer o verão das coloridas paisagens que eu te prometi no dia daquele casamento em que fomos convidados…
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